Caso clínico disponível aqui ([link](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/nep.13654))
Um paciente de 80 anos com doença renal crônica (DRC) em tratamento de hemodiálise foi internado com quadro de letargia e fala confusa há quatro dias. Foram realizadas investigações com bioquímica sanguínea, culturas, tomografia computadorizada (TC) de crânio e avaliação do líquido cefalorraquidiano, não sendo identificada causa infecciosa ou vascular aparente.
Após detalhamento da história clínica, foi identificado que dois dias antes do início dos sintomas, ele havia sido submetido a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo e estava usando acetazolamida oral (250 mg duas vezes ao dia).
Após a interrupção da medicação e a realização da segunda sessão de hemodiálise em ambiente de UTI, o paciente se recuperou completamente, sendo feito o diagnóstico de intoxicação por acetazolamida.
Aprendizado com o Caso:
A acetazolamida é um inibidor da anidrase carbônica amplamente utilizado para controlar a pressão intraocular em pacientes com glaucoma e após cirurgias de catarata, requerendo atenção especial quando administrada a pacientes em diálise.
O maior risco é de acúmulo e neurotoxicidade. Os sintomas de neurotoxicidade esperados incluem confusão, letargia, anorexia, depressão e coma. Tais queixas devem ser rapidamente identificadas.
Por conta disso, este é um medicamento cuja prescrição deve ser evitada em pacientes dialíticos. Na hemodiálise, estima-se um clearance do medicamento de aproximadamente 30% após uma sessão de 4 horas. Na diálise peritoneal, a depuração é ainda menor, cerca de 7% em 24 horas.

Caso seja imprescindível o tratamento com acetazolamida em um paciente em diálise, devemos ter atenção especial para a redução da dose, além de manter vigilância ativa quanto aos sinais de intoxicação. Esse risco é especialmente maior em pacientes idosos ou aqueles que utilizam salicilatos.
Conclusão:
A administração de acetazolamida em pacientes dialíticos exige um cuidado especial e monitoramento rigoroso para evitar complicações graves como a neurotoxicidade. Este caso ressalta a importância de ajustar a dosagem e
monitorar os efeitos adversos para garantir a segurança do paciente.