Embora a incidência de DRC nos paciente com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) tenha caído entre as décadas de 1970 e 1980, ela se estabilizou desde os anos 1990, destacando a necessidade de novas terapias.
Esse foi um estudo interessante publicado no JAN ([link](https://journals.lww.com/jasn/abstract/9900/efficacy_and_safety_of_sotagliflozin_in_patients.472.aspx))que abordou a eficácia e segurança do sotagliflozina, um inibidor dual de SGLT1 e SGLT2, como adjuvante ao tratamento com insulina em pacientes com diabetes tipo 1 e DRC. Utilizando dados dos ensaios clínicos inTandem1, 2 e 3, quase 3000 pacientes foram avaliados parâmetros como a redução de hemoglobina glicada (HbA1c), peso corporal e pressão arterial sistólica ao longo de 24 e 52 semanas. Também foram avaliados desfechos de segurança como:
* Diarreia
* Infecção genital
* Depleção volêmica
* Injúria renal aguda
* Hipoglicemia
* Cetoacidose diabética (CAD)
Os resultados indicaram uma redução significativa na HbA1c em subgrupos com e sem DRC. Em relação à pressão arterial, o sotagliflozina apresentou redução significativa nos subgrupos sem DRC, mas sem efeito relevante nos subgrupos com DRC. Nos pacientes com DRC as mudanças de pressão arterial e dose de insulina não foram significativas.
Em termos de segurança, deve chamar nossa atenção que a taxa de eventos adversos foi pequena, tanto com o uso da sotagliflozina quanto com placebo. A incidência de hipoglicemia severa foi menor nos pacientes com DRC tratados com sotagliflozina em comparação ao placebo. A taxa de CAD foi maior, mas sem diferença estatística.
Embora a CAD seja uma preocupação importante no uso de inibidores de SGLT no tipo 1 diabetes, estudos sobre relatos de pacientes mostraram que depois de receberem educação sobre o benefícios e riscos dos inibidores do SGLT, pacientes com diabetes tipo 1 preferiram usar os iSGLT como adjuvante da terapia com insulina ([link](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31177179/)).
A taxa de infecções genitais e diarreia foram mais frequentes no grupo sotagliflozina quando comparado ao placebo. Não foram observadas diferenças quanto hipovolemia e IRA. Esses resultados sugerem que o sotagliflozina é uma opção terapêutica potencialmente eficaz para o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 1 e DRC, apresentando baixo risco de hipoglicemia e CAD.
Devo já começar a prescrever os inibidores SGLT2 para pacientes com DM1?
Não! Esta foi uma análise e exploratória e post hoc. De aprendizado, a sotagliflozina foi bem tolerada e cursou com um melhor controle da glicemia, pressão arterial e peso corporal no subgrupo de participantes com DM1 e DRC sugerem que os mecanismos fisiológicos associados proteção cardiorrenal estão intactas nesta população. No entanto, ensaios clínicos dedicados em pacientes com alto risco de complicações cardiorrenais são necessários para compreender melhor os benefícios clínicos e a segurança do sotagliflozina em pacientes com diabetes tipo 1 e DRC