Complicações infecciosas relacionadas à diálise peritoneal (parte 1)

Complicações não mecânicas relacionadas à diálise peritoneal (parte 2)

Infecções relacionadas ao cateter de Diálise Peritoneal

Líquido peritoneal com sangue?

Quilotórax maciço em um paciente em hemodiálise

Prescrevendo diálise peritoneal incremental

Diálise Peritoneal na Doença Renal Policística: existe algum motivo para não indicar?
A diálise peritoneal (DP) é uma forma de terapia renal substitutiva (TRS) que oferece vantagens de flexibilidade e autonomia na DRC estágio 5. Estima-se uma prevalência de cerca de 11% de DP entre os pacientes em TRS. Devido a baixa prevalência, suas complicações são menos conhecidas que as da hemodiálise, por isso, o CJASN trouxe uma série de revisões sobre possíveis complicações que podem estar associadas a esse método:
* Complicações infecciosas
* Complicações mecânicas
* Complicações não mecânicas
Nesse post vamos falar aspectos importantes relacionados as complicações Infecciosas
As complicações infecciosas relacionadas à DP são
1-Peritonites
Definida pela Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal (ISPD) pela presença de 2 ou mais dos seguintes critérios:
* Sinais ou sintomas de peritonite, como dor abdominal
e/ou efluente turvo
* Contagem de células no líquido peritoneal com mais de 100 células/microL e mais de 50% de polimorfonucleares (após pelo menos 2 horas de tempo de permanência)
* Cultura positiva no líquido peritoneal
2-Infecção do sítio de saída: Secreção purulenta no sítio de saída com ou sem eritema
3-Infecção do túnel: Eritema, edema, dor e enduração na região do túnel com ou sem coleção visualizada por ultrassom ao longo do trajeto
Quanto às peritonites, elas podem ser classificadas de acordo com o momento em que acontece:

* Peritonite pré-DP: ocorre antes de iniciar a DP
* Peritonite relacionada à inserção do cateter: ocorre dentro de 30 dias da passagem do cateter
* Peritonite relacionada à DP: ocorre em qualquer momento após iniciar a DP
Pode-se classificar também de acordo com outro evento concomitante ou precedente:
* Peritonite relacionada ao cateter: ocorre dentro de 3 meses de infecção do cateter (sítio de saída ou do túnel)
* Peritonite entérica: decorre de um foco infeccioso abdominal.
A identificação dos fatores de risco para peritonite é essencial para que sejam adotadas medidas que visem mitigar esse risco. Entre eles estão:

Além do descrito na tabela acima, outras estratégias que podem reduzir o risco de peritonites são:
* Estratégias como posicionamento do cateter de Tenckhoff em região pré-esternal em pacientes obesos, facilitando a visualização e limpeza do sítio de saída do cateter.
* Retreinamento dos pacientes após internação prolongada, episódios de peritonite e/ou infecção de cateter, mudanças de destreza, visão ou cognição.
Algumas observações interessantes que devem ser ressaltadas são:
* A correção da hipocalemia está associada à melhora da mobilidade intestinal, redução de translocação bacteriana, ganho de força muscular e melhora imunológica.
* A prevenção de peritonite fúngica pode ser realizada com fluconazol 200 mg a cada 48 horas enquanto o paciente estiver em uso de antibioticoterapia.
Uma vez suspeitado do diagnóstico, o tratamento com antibioticoterapia empírica deve ser iniciado imediatamente com cobertura para gram positivo e negativo, como descrito abaixo. Por isso, o paciente deve ser treinado em reconhecer os sinais e sintomas sugestivos de peritonite, para que, dessa forma, seja iniciada antibioticoterapia de forma precoce. O atraso no seu início está associado ao aumento do risco de falência de tratamento. A via preferencial é a intraperitoneal, exceto se o paciente apresentar sinais de sepse, quando deve-se avaliar antibioticoterapia intravenosa.

O tempo de tratamento geralmente recomendado é de 2 a 3 semanas, a depender do agente causador:
* 2 semanas: Staphylococcus coagulase negativo, Streptococcus, Corynebacterium.
* 3 semanas: Staphylococcus aureus, Enterococcus, Pseudomonas, Stenotrophomonas, gram negativos
entéricos.
Já o tratamento de primeira escolha para infecção do sítio de saída é a antibioticoterapia via oral, especialmente com cobertura para Staphylococcus aureus. O tempo de tratamento recomendado é de 2 semanas. Deve-se avaliar a 44resposta após 1 semana e se houver uma ótima evolução clínica, pode-se encurtar o tempo para 7 a 10 dias. Caso haja infecção por Pseudomonas aeruginosa, deve-se prolongar para 2 a 3 semanas. Já se houver tunelite, recomenda-se pelo menos 3 semanas de tratamento.
Quando remover o cateter?
* Infecção de sítio de saída ou tunelite concomitante com peritonite.
* Peritonite refratária (sem resposta satisfatória após 5 dias de tratamento).
* Peritonite fúngica.
E ai, o que achou dessas dicas?